Pesquisa inédita vai ouvir pessoas em conflito com a lei no Brasil
Aconteceu nesta quarta-feira (13) o lançamento do Instituto Central, a mais nova empresa de pesquisa do país, num formato inédito: cooperativo, de alcance nacional e com foco em escuta qualificada nos territórios populares.

A iniciativa integra o ecossistema da Favela Holding — grupo com mais de 30 empresas — e conta com o apoio social da Central Única das Favelas e parceria da Data Goal para a realização de seu primeiro levantamento.
Pesquisadores cooperados de todo o país vão começar um trabalho inédito com mais de 10 mil pessoas em conflito com a lei.
A meta é apurar pelo menos 24 estados em 22 dias. O estudo vai abordar temas como família, formação, hábitos, cotidiano, consumo, sonhos e perspectivas de futuro. A proposta central é humanizar e compreender de forma aprofundada esses territórios.
Em um segundo momento, a mesma metodologia será aplicada a policiais, permitindo uma base comparativa inédita.
O fundador da CUFA, Celso Athayde, fala dos objetivos da pesquisa.
“Fazer um grande mapeamento entendendo quais são os sonhos dessas pessoas. Muitas das vezes elas lavam o dinheiro do crime comprando uma fralda da Johnson, uma carne da Friboi… isso não significa passar pano, nem julgar. Isso quem vai fazer é quem tiver acesso a esse material. O que precisamos fazer é jogar luz pra poder contribuir com ações e poder ver como melhorar a vida dessas pessoas, o que significa melhorar nossa vida e a de toda a sociedade”.
Geraldo Tadeu, fundador do IBPS, Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, avalia qual vai ser o principal impacto dessa iniciativa.
“A gente vai poder dizer, olha perdemos 2 mil médicos pro crime, 1,5 mil advogados pro crime… tenho certeza que muita gente vai dizer, se eu pudesse, eu voltava a estudar. A gente sabe que as pessoas mais simples sabem o valor do estudo, e o estudo é um caminho seguro pra melhoria de vida”.
Para marcar a estreia do Instituto, multiplicadores e cooperados de todo o Brasil realizam uma aula final em suas regiões. No Rio de Janeiro, um encontro na unidade da CUFA na Penha, zona norte da cidade, reuniu representantes de comunidades como Rocinha, Alemão, Acari, Vila dos Pinheiros e Serrinha. Após a aula, a pesquisa de campo terá início simultaneamente na Penha e em outras comunidades do país, como Sol Nascente, no Distrito Federal; além de Heliópolis e Paraisópolis, em São Paulo.
3:11 Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/