Dengue: casos da doença aumentaram significativamente em 2024
O mosquito Aedes aegypti continua trazendo problemas para a população brasileira e no ano presente, desde seus primeiros dias, já tem afetados muitas pessoas, inclusive fazendo vítimas fatais.
Já nos primeiros meses do ano de 2024, os números de casos de infecção por dengue superaram os anos anteriores, o que é alarmante e levanta bastante questionamentos como: Porque uma doença presente a tanto tempo em nosso país ainda não tem uma solução eficaz?
Sobre quem pesa a responsabilidade de ao menos diminuir consideravelmente os casos?
Qual o papel e as dificuldades dos agentes de endemias no enfrentamento à dengue e porque é tão difícil combater o seu vetor, o mosquito Aedes Aegypt?
Aspectos como a urbanização, o crescimento desordenado da população, o saneamento básico deficitário e os fatores climáticos mantêm as condições favoráveis para a presença do vetor – a fêmea do mosquito Aedes aegypti -, com reflexos na dinâmica de transmissão desses arbovírus. A dengue possui padrão sazonal, com aumento do número de casos e o risco para epidemias, principalmente entre os meses de outubro de um ano a maio do ano seguinte. Aprendemos em anos anteriores que o mosquito depositava suas ovas apenas em água limpa, hoje sabemos que a água suja também é um ambiente propicio para a proliferação.
O Agente de Endemias Leanderson Souza, apontou para nós que ainda é muito difícil acessar um número satisfatório de casas, por motivos que variam entre: moradores que estão em horário de trabalho, ou ausentes no momento da visita; os que estão em casa, mas não atendem; e os que recusam verbalmente a visita do agente.

Leanderson ainda esclareceu quais as medidas que podem ser tomadas nesses casos de recusa à entrada do Agente no domicílio: “O supervisor vai até o domicílio, tentar por meio do diálogo convencer o morador a receber a visita, caso a recusa continue o Ministério Público pode ser acionado.”
O fato de o mosquito Aedes Aegypt já ter sido erradicado no país em 1955, e devido ao relaxamento de medidas ter voltado com força total, pode nos servir de alerta em relação ao papel cidadão de todos nós. E vale lembrar todas aquelas medidas simples, porém eficazes que cada um de nós pode tomar: eliminar criadouros do mosquito evitando água parada e receber a visita do agente de endemias em casa são as mais simples e com melhores resultados entre todas as medidas.
Marllus Robson Fernandes Cavalcanti, é enfermeiro (CORES-ES 101660 ENF) e relaciona o aumento de casos de dengue à pandemia de Covid-19. Segundo ele, o direcionamento dos esforços para o controle da pandeia, provocou um relaxamento no combate à dengue, pois as visitas dos Agentes às casas foram suspensas, e a inspeção dos imóveis por parte dos proprietários também foi, de certa forma, deixada de lado.
Marllus destaca também que esse combate seria facilitado com uma mudança de cultura e hábitos da população, entendendo a responsabilidade de colocar em prática as atitudes básicas de erradicação do mosquito Aedes Aegypt já tão divulgadas a tanto tempo. Inclusive cuidando do quintal dos vizinhos e redondezas, afinal o mosquito não respeita fronteiras de endereço.

A Dra. Salete Rios (CRM-DF 8733), esclarece que “quando uma pessoa é infectada com um dos quatro sorotipos da dengue ela fica imune àquele sorotipo, mas não se torna imune aos demais. Porém ao ser infectada com qualquer dos outros sorotipos em sequência, causa uma desregulação grave em seu sistema imunológico e é justamente esse fato que torna tão difícil a formulação de uma vacina eficaz”.
Um outro agravante desse aumento considerável nos casos de Dengue é o fato de os bancos de sangue terem sido diretamente afetados. Segundo o enfermeiro Thiago Boeke Cunha (COREM: 633.129), “devido ao aumento dos casos de dengue, as pessoas com diagnóstico não podem doar sangue durante 1 mês, e isso afeta o estoque dos bancos de sangue.”
O uso de repelentes tem sido bastante indicado na prevenção à dengue, mas ainda é uma opção muito individualista, tendo em vista que a dengue é um problema coletivo e que sem a devida vigilância e manutenção nas áreas de acúmulo de água o problema só tende a aumentar. Atitudes coletivas e rigorosas devem ser tomadas por cada cidadão, cada um fazendo sua parte no combate ao mosquito e na diminuição de casos de infecção por dengue.
Até o fechamento dessa matéria já passam de 2 milhões de casos de dengue em 2024. Segundo os dados do Ministério da Saúde, que reúne casos prováveis e confirmados, o país registrou 2.010.896 de casos nas primeiras 11 semanas deste ano. O número de mortes confirmadas passa de 680. Este é o maior número registrado em toda a série histórica, que é feita desde 2000.
Texto e Fotos: Géssica Sousa, com informações do portal G1 da Globo.